segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mal de escritora



Nós, escritoras, temos uma mania muito peculiar, que pode ser reconhecida como "mal de mulher romântica", mas conosco, é mil vezes acentuado. Sonhamos com um cara que chegue num carro cantando nossa música favorita secreta que desejamos que ele cante no nosso aniversário, ou qualquer evento que tenha várias pessoas pra assistir e a nossa família. Queremos alguém que enfrente montanhas, dragões e o engarrafamento do dia-a-dia pra nos ver. Ou que cruze o oceano atrás de nós, porque nos ama e nos quer pra sempre em sua vida. Que tal alguém que pare a cidade pra nos pedir em casamento? Ou que se jogue de paraquedas de um prédio ou que faça algo mais simples, como chegar na frente de todo mundo e declarar seu amor, nos pedindo em casamento? Pois é. Nós pensamos nisso. Acreditamos piamente que se é pra ser, será. Não importa se houver separação, cada pra um canto do mundo... Não importa! Um dia, vamos nos ver, quem sabe, esbarrando um no outro sem querer, nas calçadas da vida, quando estivermos atrasadas para o trabalho com um copo de frapuccino da Starbucks na mão e na outra, um celular, o qual estamos conversando aos berros com o nossos chefe. Ou na praia, no meio de um evento, o qual, a pessoa amada está lá, fazendo uma performance meio doida e reconhecemos instantaneamente pelo timbre da voz. Mil possibilidades! Imaginamos um começo de vida bem engraçado, numa casinha simples, branca por dentro, alguns móveis e um colchão, apenas, pra dormir. Nem uma cama direito! Mas o que importa é que o lugar é cheio de amor. E haverá tudo. Brigas, que parecerão o Apocalipse. Reconciliações, que parecerão um dramalhão mexicano. Sensações, que parecerão como se tivéssemos correndo em alta velocidade numa rodovia americana. (Ah, sim! Temos uma imaginação que canaliza detalhes de filmes americanos e temos a influência do "American Way of Life". Mas fazer o quê, se filmes americanos fazem parecer que lá é tudo lindo?) Declarações de amor, que parecerão um evento da Broadway. Tudo muito intenso! E fazemos que tudo que lemos em nossos sagrados livros, transforme-se em realidade. Uma garota que escreve e ainda por cima, é leitora assídua, tem a mania de fazer de tudo pra sua vida parecer como a de um livro! Engraçado, não? Queremos um cavaleiro galante, como em nossos livros. Alguém que não tenha medo de expressar seu amor, alguém que taque pedrinhas na janela pra chamar atenção (e logo depois, dizer que apareceu só pra dizer que sentiu falta), alguém que dê a louca e saia no meio da noite só pra deitar num gramado qualquer e ver o céu estrelado, alguém que nos dê a opção de mentir pra conseguirmos o que queremos, alguém que tenha uma moto e que nos convide para um passeio, com o destino para "o nada", alguém que pareça com um rockstar e nos convide para fugirmos de nossa vida monótona, que voe num balão e nos leve pra conhecer o mundo, alguém que cuide de nós, como se fôssemos os últimos diamantes da face da Terra, que nos dê a mão quando estivermos com medo, que olhe nos nossos olhos e diga: "eu sei que você não está bem" e que se aninha no nosso colo como um gatinho. Alguém que, depois de anos, nos veja na rua e nos reconheça. Alguém que entenda nossa típica contradição com nossos sentimentos, que são tão intensos e surreais. E que entenda nossas batalhas contra a razão e a emoção quando estamos apaixonadas. Alguém que faça algo bem louco, como uma serenata, após uma discussão feia. Ou que faça qualquer coisa pra nos conquistar novamente, quando comete algum erro muito feio e somos obrigadas a terminar. Se você não entendeu, leia algum de nossos livros favoritos e entenderá. Pra nós, que somos muito subjetivas, não adianta fazer qualquer coisinha pra nos ganhar. Tem que ser algo grande e significativo, pra termos certeza que poderemos entregar nosso coração... E mesmo assim, continuaremos com os nossos pés atrás, porque sempre seremos desconfiadas. Vivemos em vários mundos, que mudamos de segundo em segundo quando estamos muito entediadas com o mundo atual. Você nunca saberá em qual órbita estaremos. Temos um "quê" saudosista. Não nos entenda mal, nós realmente amamos quem está ao nossos lado, mas sempre teremos aquela queda por nossos amores passados. Não sei... É saudosismo mesmo, saudade daquela época, ou daquela amor meio torto, típico de primeira paixão, que sentíamos e que era tão gostoso de sentir. E repetindo: Nós realmente amamos quem está do nosso lado! Mas somos saudosistas com o nosso passado amoroso mesmo. Gostamos de reviver, mas apenas mentalmente. O que é do passado, permanecerá no passado. Não queremos trazer para nosso presente, porque se está no passado, motivo há. Fazer o quê? Somos uma eterna contradição entre o mundo real e os nossos 300 mundos em que preferimos viver, esperando que alguém apareça e entenda nossa mente, nosso coração e os nossos mundinhos. Que entenda que o personagens são momentaneamente reais e que somos capazes de apertar o livro contra o peito e chorar sem pena, como se aquilo realmente tivesse acontecido. Somos bem sensíveis. Somos mais complicadas que as mulheres normais. E mesmo vivendo na fantasia, amamos de verdade. Amor é o que é de suma importância em nossa vida. É o que nos move. Ah, e odiamos monotonia. Ter uma escritora em sua vida, é ter um desafio em mãos.



(Inspirado em nossa imaginação, como românticas assumidas e viajadoras de músicas internacionais... Para Nathália Farias. Sinto sua falta, amiga. De como eu consegui achar alguém que entenda minha imaginação, meus textos meio Clarice Lispector e meu jeito de viver de amor e alguém que tenha a mesma paixão que tenho por livros e mundos além.)

Um comentário:

  1. Aiii amiga! Resumiu tudo tudo tudo! Sinto muitíssima falta sua!
    Nós somos verdadeiramente assim... Fazer o quê. É mal de escritora né?! :P

    ResponderExcluir